A caverna de Platão e o mundo digital

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Caolho, na terra de cegos

Imagine alguns homens vivendo em uma caverna, com pés e pescoço presos de tal maneira que não pudessem se movimentar. Os olhos alcançam até apenas a profundidade da caverna, onda há uma parede.

Agora imagine que homens, carregando todo o tipo de artefatos passam por detrás da caverna. A pouca luz que penetra a caverna, forma as sombras destas pessoas e destes objetos, sendo vistas por aqueles primeiros, com mãos e pés imóveis. Finalmente, imagine que a acústica produz ecos ao fundo da caverna, como uma sobra daquilo que foi o som real emitido pelos que passavam por lá.

Entretanto, como nunca viram ou ouviram outra coisa senão ‘sombras’ da realidade, estes homens amarrados acreditam que aquilo seja o mundo real. Nada mais.

Eis que um dia, um dos habitantes da caverna, com muito esforço consegue aos poucos afrouxar as amarras e depois de algum tempo de luta e sofrimento, consegue livrar-se. Com muita dificuldade, acostuma-se a ficar de pé e começa andar rumo a saída da caverna. Lá chegando, seus olhos doem com a luz que penetra em seus olhos, mas que aos poucos se acostumam. Formula hipóteses incontáveis em sua cabeça e por fim conclui que o mundo é muito mais do que aquilo que imaginava ser.

Entusiasmado, volta para a caverna e conta à todos sobre a experiência. Mas estes, que por nunca sentiram o ar fresco, acusam-o de calúnia e o matam.

Essa é a alegoria da caverna de Platão.

Trazendo essa história para nossa caverna nosso mundo, percebe-se que ainda somos uma geração presa pelos braços e pernas.

Ao invés de livros, lê-se as novidades da novela. Ouve-se um MP3. Alegra-se, com uma conexão a cabo. Odeia-se, um PC travado. Ama-se, um DVD player.

As sombras projetadas na nossa frente penetram nos olhos que não podem se desviar, algemadas pelo design gráfico e animações multimídia na tela de micro.

Tornam-se substituíveis as emoções.

Num debate online, uma opinião é formada e descartada tão rapidamente quanto se pode teclar ALT + F4. Considerável, até que se feche o browser e seja jogada fora assim como um brinquedo velho.

Os parâmetros são sombras que não ultrapassam as paredes de um LCD.

E é aí que devemos mostrar o diferencial. Soltar as correntes e dizer não ao “nada se cria, tudo se copia”. Perceber as causas e não os efeitos, a base da pirâmide e não focar apenas o topo. Só então poderá se dizer privilégiado, “caolho, na terra de cegos”.

A caverna de Platão e o mundo digital
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